Poesia no Luso

Treze - 21Out2017 17:33:48

Tremem os ventos nos varais dos inundados.
A terra está em fogo
E a contemplação nos olhos dos desfalecidos
Parece traçar no sangue derramado
O pesaroso ritmo de treze flagelações.

De um em um, a voz do universo vai cantando
Como um grito na maré
E o corpo mutilado parece desabrochar na cruz,
Qual Fénix dilacerada
Que descesse do rosto que mira por entre as nuvens
A concretização de um crepúsculo deserto.

Prolongados até aos dedos no braço do infinito,
Os números choram cintilações de essência,
Espraiados em convulsivo agarrar de etéreas cordas
Prendendo às mãos do tempo
As pulsações dos sentidos moribundos.

E os corpos dormem sob o flagelo das eras,
Fustigados pelos ramos da vida que incendeia a floresta,
Conflagrar de promessas inundadas sobre o sangue
Que invade a lama com a poeira do crepúsculo.

Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=98461

Composição - 21Out2017 17:33:48

Escreve a criança dispersa sobre o altar da inocência,
Numa terra tornada caderno de linhas de fogo
Abertas por dentro da pele onde o sangue se revolve
Com as marés do grito que a garganta não liberta,
Mas que o sangue desenha sobre a tela do chão.

Nos céus desertos onde a névoa planta o seu rumo,
O absoluto dorme
De olhos fechados ao espelho que se compõe no seu corpo.

Cantam na aurora os lamentos dos pássaros moribundos,
Enquanto, em silêncio, os corvos fitam a cruz
Onde a noite se confunde com a palidez dos corpos
E os pregos que sustentam os membros dilacerados
São também eles palavras no cântico da condenação.

Como serenata de inocência estrangulada,
Brota um coro de anjos do labirinto das quimeras
E a terra sangra ao som da sua voz.

Choram os olhos do cego que sente na sua torre
A pulsação dos abismos frementes no amanhecer
E a morte canta nos braços de um soluço adormecido
Onde o rosto do abandono renasce em traços de esfinge
Como num hino ao nada do infinito.


Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=92344

Legado de Sangue - 21Out2017 17:33:48

Nemesis de espelhos,
Dormente nos veludos de um labiríntico leito,
Embalando no amplexo dos séculos por nascer
A urna do seu coração.

Fulgor de espectros bailando nas asas do corvo,
Ao compasso da embriaguez
Que entorpece o sangue em fragmentos de loucura,
Noites de baile no deserto
Onde o violino chora em arcadas de sangue.

Transmigração de luz
Por dentro da efémera carícia dos punhais
Onde os corpos se atravessam,
Íntegros e contínuos na comunhão do eclipse com a morte,
Tormenta de gritos ecoando
Na abóbada rachada dos céus emudecidos.

Contemplação de altares,
Leito de sedas dispersas no sudário da divindade,
Como um cântico de heranças escondidas
No secreto silêncio das veias amordaçadas
Pelo grito que brota dos dedos de Deus.


Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=87697

Pluralidade - 21Out2017 17:33:48

Murmura no meu sangue a princesa de olhos de corvo,
Negra como a noite que adormece o sono eterno
E baila sobre as cinzas do túmulo de ninguém,
Mas também a terna rainha do amanhecer
Estende os meus braços à luz que atravessa o dia
E renasce aurora no orvalho de uma flor.
Tenho na voz a revolta da tempestade,
O murmúrio dos ventos que revolvem as areias do deserto
E a chuva que fustiga as velas das velhas naus,
Mas também o dócil calor de um sol adormecido
Na calma outonal dos dias que movem a procissão dos corpos.
Sou profetisa de todo um destino clarividente
E cega justiça derrubada num mundo de iniquidade,
E, sendo pó de estrelas na multiplicidade de mim,
Sou o nada oculto sob os excertos de um todo.



Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=81448

Delineação - 21Out2017 17:33:48

Traçado por dentro da pele, como um murmúrio
Contornando palavras sob o cântico da existência,
Como um devaneio perdido entre as linhas de um desenho
Renascido dos mais longínquos confins da quimera…

Desenhado nas marcas do sangue e nos espelhos sem cor,
Como raça universal desabrochando em terna ausência
Sob o leito das pétalas adormecidas.

Como um destino delineado pelos olhos da divindade
Na indelével tinta que mancha o absoluto
Com os fragmentos dos espelhos do passado,
Um projecto estilizado na distorção de um instante,
Multidimensional tormenta de pensamentos
Invadindo os segredos no cofre de uma ilusão…


Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=80145

Travessia - 21Out2017 17:33:48

Não sabes de onde vim,
Nem como sinto as trevas dilaceradas do teu corpo sobre mim.
Não entendes a vaga indiscrição
Que se mistura no labirinto dos meus sentidos,
Como suave torpor de ausências solitárias
Que se prendessem no eco da minha devastação.
Não me conheces,
Mas pareces ver para lá dos recessos da minha noite,
Invadindo as pontes da minha miragem secreta
E em sangue trespassando todos os meus labirintos
Num derramar de essências desperdiçadas sobre o abismo.
Nunca me viste,
Nem mesmo conseguiste encontrar a minha presença nos passos da noite
Que me envolvia em divagações sinistradas
De espectral fenecer,
Mas invadiste todas as eras do meu caminho cerrado
E derrubaste as muralhas da minha solidão
Com a imensidade do teu infinito de luz.

Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=80029

Estação das Sombras - 21Out2017 17:33:48

Criada como uma insónia nas marés do desalento
Onde o fogo incendeia os cantos sob a sombra,
Dispersos no eco de um grito que pranteia a eternidade
Cantando a uma só voz…

O espelho planta a renúncia sobre as raízes de um corpo
Que se abre entre fragmentos de Santíssima Trindade
E as folhas tombam sobre os túmulos desertos
Como esqueletos vazios que divagassem entre a luz
E se quedassem como hinos na partitura do abismo.

A noite devaneia entre as dispersões do mínimo,
Mergulhada entre os oceanos do cosmos primordial,
E o gelo tomba nos braços da árvore desfalecida
Que invoca o grito nos espectros da bruma apagada
E transparece no ritmo das harmonias do caos.

E o fogo desata os corpos num requiem de deserdados,
Sinistra procissão de passos até às lágrimas do ser,
Como um sol que se rasgasse até às entranhas da obsessão
Errante debaixo dos véus de uma actriz martirizada
E plantada sobre a cova adormecida entre ninguém
E o abraço do absoluto num arco-íris cinzento.

Imolada à insaciável fome dos céus desertos
Em lágrimas de chuva banhando o sangue da terra.

Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=79414

Confidencial - 21Out2017 17:33:48

Dorme uma mão sobre o fogo,
Selando os lábios que sussurram nas sendas do castelo,
Como um grito amordaçado.
Paira um sopro nas asas da tempestade,
Como um corpo crucificado no crepúsculo esmorecido
Da manhã divinizada.
Espelha-se no segredo a confidência do absoluto
Cantando gritos na aurora do infinito
Onde se espraia o amplexo da gaivota mutilada
Pelo fúnebre enlace da corda que pinta os momentos
Na esmorecida miragem de um labirinto deserto.

Dorme um anjo sobre a areia…


Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=76367

Espada de Fogo - 21Out2017 17:33:48

Erguida em sanguínea lâmina sobre os olhos de ninguém,
Cravada no solo à flor do amanhecer
E adormecida nos braços de uma prisão de carne
Que se entretece sob o desabrochar da pele.

Surge como um fantasma na ilusão do crepúsculo,
Rasgando o véu solar em golpes de escuridão,
Como uma aurora dormente na coroa da tempestade
Que fustiga a muralha da cidadela de nenhures.

Insígnia rubra de sol rasgando as asas da lua,
Como murmúrio disperso nos desertos do além,
Na difusão das memórias sepultadas sobre a noite
Da ilusão que se entretece no sorriso da vingança.

Morre como um estertor na garganta dos desesperados,
Aberta em chamas de luz sobre a bruma do oceano
Que se derrama em lágrimas de sal sobre a pele dos desolados
E afaga na sepultura o último grito da voz.


Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=75408

Deixa-me Desistir de Ti - 21Out2017 17:33:48

Deixa-me desistir de ti
Como num encontro repetido entre penas de mil eras
E traçado em véus de fumos mutilados,
Para esquecer que te dei a alma de todos os meus sonhos
E a força de toda a vontade
Na concretização de uma visão que mão me pertencia.

Será o silêncio a minha promessa,
O vazio como futuro
De quem deixou as asas rasgadas no chão,
E apenas a noite alcançará a minha voz amordaçada
Nos primórdios do poema.

Não sou ninguém…
Nada mais que o pálido reflexo de um espelho estilhaçado,
Um grito no amanhecer
E as lanças dos meus dedos estendem o sangue da derrota
Que estrangula o meu olhar.

Deixa-me, pois, morder as cinzas que ensombram os meus lábios
E morrer dentro da cruz,
Como um corvo em voo de hecatombe
Rasgando os céus da última alvorada,
Um sonho aberto à lâmina dos deserdados,
Um cântico na morte…

Para que vejas a renúncia que floresce nos meus olhos
E me deixes desistir
De mim.



Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=73291

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